Com hortas, reciclagem, sabão ecológico e a Sala Verde, escolas do municípios transformam sustentabilidade em aprendizado diário.
Separar o lixo, plantar alface, transformar óleo usado em sabão. Gestos simples que, dentro das escolas municipais de Encantado, contribuem para formar uma geração de cidadãos mais conscientes e com capacidade de mudar hábitos dentro de casa.
Projetos de educação ambiental ganham força na rede municipal e já mostram resultados concretos: só neste ano, por exemplo, mais de duas toneladas de resíduos sólidos foram retiradas do meio ambiente em ações desenvolvidas na EMEF Batista Castoldi, do bairro Palmas.
“Uma revolução na questão ambiental é necessária, tendo em vista os eventos climáticos catastróficos cada vez mais intensificados”, afirma a professora Daiane Carlesso. O impacto visual deixado pelas enchentes serve de alerta, observa Lucilene Estivallet. “A gente visualizou muito lixo. Não só tronco, não só barro, muito plástico, PET, coisas descartadas da maneira incorreta”.
Para Leila Horst, do Centro Municipal de Educação, são justamente as crianças que precisam liderar essa mudança. “Os nossos pequenos têm que dar o exemplo, levar o exemplo para casa, porque muitas famílias ainda têm ideias antigas, sobretudo, na separação do lixo”, afirma.
A Sala Verde


Pais dos alunos ajudam na construção da Sala Verde
Na EMEF Batista Castaldi, a educação ambiental ganhou um espaço físico especial: a Sala Verde, construída em mutirão por pais e professores voluntários, com patrocínio do Sicredi Região dos Vales. O ambiente externo tem mesas, pias e área verde, e serve como extensão da sala de aula. “Às vezes, quando está muito quente na sala, ou é uma atividade mais artística, usamos este espaço. É onde os alunos podem circular mais”, explica Lucilene.
A escola também mantém um centro de coleta e triagem de resíduos. Uma competição entre turmas incentiva os alunos a trazerem papelão, plástico e alumínio separados e identificados, com pontuações diferentes para cada material. O efeito chega às casas. “Eu tenho relatos de colegas que dizem: ‘eu não separava, misturava tudo. Hoje não consigo mais misturar lixo reciclável com orgânico’”, conta Daiane.
Da horta ao prato
Na EMEF Érico Veríssimo, a professora Caroline Luzzi Borsatto chama a horta de “sala de aula viva”. Alfaces, beterrabas, salsinha e temperos são plantados, colhidos, higienizados e consumidos pelos próprios alunos no almoço escolar. “Quando tem alface no almoço, eles perguntam: é nossa ou não é? Porque tem um sabor diferenciado”, diz. O resultado vai além do paladar: “Depois que a gente começou no plantio, eles comem mais. Uma alimentação mais saudável”, reforça Caroline.
Na EMEI Pingo de Gente, a professora Sabrina Conte leva essa experiência aos menores. “Eles adoraram ter esse momento e ver as plantinhas crescendo. Também se surpreendem quando encontram as minhoquinhas”, salienta. Em 2026, o projeto deve avançar com as sacolas ecológicas. A ideia é que o que for colhido na horta seja enviado às famílias dos alunos, ampliando o alcance da iniciativa


Espaço também é utilizado para atividades lúdicas
Sabão do óleo que seria descartado
Também na Érico Veríssimo, a professora Luísa Fabiana Vivian transformou um problema ambiental em aprendizado prático. Ao perceber que famílias descartavam óleo de cozinha usado no ralo ou na terra, o que impede o crescimento de plantas, ela propôs fabricar sabão. Uma vez por mês, alunos do 5º e 6º ano se reúnem no pátio com luvas e cabos de madeira para produzir o sabão, que é vendido para a comunidade. “Estamos criando cidadãos conscientes, pensando no planeta, o bem comum”, resume Luísa. A renda financia mudas, flores e materiais para a escola.
Reciclagem que vale pontos e dinheiro


Recolhimento de tampinhas mobiliza os alunos
No Centro Municipal de Educação, a professora Leila articula uma parceria com a empresa Lorenzon Plásticos. Alunos divulgaram a iniciativa por meio de esquetes teatrais, explicando a diferença entre reaproveitar e reciclar, e incentivando a comunidade a usar os pontos de entrega voluntária da escola. O material arrecadado é comercializado, e o valor retorna aos estudantes em forma de materiais, jogos e cultura. “Quanto mais a gente puder trazer plástico para reciclar, mais a escola ganha, as famílias ganham, a sociedade ganha”, comenta.

