Cooperativa prevê manter receita no nível de 2025 e planeja mudanças nas jornadas de trabalho, adequações à reforma tributária e novos investimentos
A Dália Alimentos, cooperativa com sede em Encantado, projeta faturamento de R$ 2,3 bilhões em 2026, mantendo o patamar registrado no ano anterior. A perspectiva reflete um cenário de pressão sobre os preços das proteínas animais, especialmente na suinocultura, impactada pelo aumento da oferta e pela redução de vendas internacionais.
Para 2027, a cooperativa prepara uma série de ajustes operacionais e estratégicos. Entre as prioridades estão a reorganização das jornadas de trabalho, a adaptação à reforma tributária, a definição de investimentos e a contratação de novos profissionais.
Segundo o presidente-executivo da Dália, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas, a instabilidade nos preços reduziu a possibilidade de ampliar o faturamento neste ano. Mesmo com volumes de vendas previstos, os preços estão abaixo dos registrados em 2024 e 2025.
Pressão sobre a suinocultura
A cadeia de suínos enfrenta dificuldades diante do crescimento da produção e da oferta superior à demanda. O cenário também foi influenciado pela redução de vendas para mercados internacionais, especialmente na Ásia.
A situação contrasta com os resultados mais favoráveis dos anos anteriores, quando a abertura de mercados externos contribuiu para o desempenho do setor.
Em reportagem publicada em setembro, a cooperativa já apontava que o aumento da oferta pressionava as margens da suinocultura. A avaliação era de que o crescimento da produção no Brasil e em outros países, combinado a restrições comerciais e mudanças no mercado internacional, havia reduzido os preços pagos aos produtores.
Avicultura busca ampliar produção
Na avicultura, a Dália identifica oportunidades para aumentar as vendas de produtos congelados e temperados. Em setembro, a cooperativa informou que processava aproximadamente 55 mil aves por turno e tinha como objetivo alcançar 70 mil.
A expansão, porém, depende do aumento da criação nas propriedades integradas, o que exige investimentos na construção de novos núcleos de produção.
A ampliação da capacidade industrial está ligada à disponibilidade de matéria-prima e à estrutura necessária para atender à demanda. Por isso, o planejamento da cooperativa considera tanto o desempenho comercial quanto as condições de produção no campo.
Planejamento para o próximo ciclo
A manutenção do faturamento em R$ 2,3 bilhões ocorre em um momento de preparação para mudanças que podem afetar a organização das operações e os custos da cooperativa.
A reforma tributária exigirá adaptações nos processos administrativos e fiscais, enquanto a reorganização das jornadas de trabalho integra as medidas previstas para o próximo ano. A definição de investimentos também faz parte do planejamento para 2027.
A estratégia busca preparar a operação para um ambiente de mercado mais desafiador, preservando a capacidade de produção e as condições para manter a competitividade.
(Foto: divulgação)

