Levantamento reúne propostas de 23 municípios e do Consisa; 105 iniciativas foram classificadas como de prioridade alta ou crítica, e a busca por recursos deve avançar até o fim de 2026
O Vale do Taquari tem 128 projetos mapeados para a reconstrução e o fortalecimento da resiliência climática da região. Desse total, 105 propostas, o equivalente a 82%, foram classificadas como de prioridade alta ou crítica pelas próprias administrações municipais. Os resultados do levantamento foram apresentados na quarta-feira, 21 de outubro, na Universidade do Vale do Taquari (Univates), em Lajeado.
As iniciativas foram encaminhadas por 23 municípios e pelo Consórcio Intermunicipal de Serviços do Vale do Taquari (Consisa). O objetivo é organizar as principais demandas regionais, identificar dificuldades que impedem o avanço dos projetos e aproximar as prefeituras de instituições e possíveis fontes de financiamento.
O mapeamento é conduzido pela CoalizãoRS, em parceria com o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a Univates, a Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat), a Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat) e o Consisa.
Entre as áreas prioritárias estão obras de macrodrenagem, sistemas de proteção contra chuvas, recuperação de infraestrutura atingida por eventos extremos e soluções baseadas na natureza. As propostas buscam tanto dar continuidade à reconstrução após as enchentes quanto preparar os municípios para enfrentar novos episódios climáticos.
Mais de 80% das propostas têm prioridade alta ou crítica
Dos 128 projetos cadastrados, 74 foram classificados como de prioridade alta, representando 58% do total. Outros 31 receberam classificação crítica, equivalente a 24%. Já 15 propostas foram consideradas de prioridade média e oito, de baixa prioridade.
A classificação foi realizada pelos próprios municípios. Os números indicam a urgência atribuída às demandas, mas não significam que todos os projetos receberão recursos. As iniciativas ainda precisam passar por avaliações e, em alguns casos, por etapas de elaboração técnica e estruturação.
O diretor executivo da CoalizãoRS, Tarso Oliveira, destacou o envolvimento das administrações municipais e afirmou que o próximo desafio é transformar as propostas em projetos aptos a receber investimentos.
A expectativa da organização é iniciar a busca por financiamento até o fim de 2026. Antes disso, será necessário avaliar o estágio de desenvolvimento de cada iniciativa, identificando quais já estão estruturadas e quais precisam de estudos, documentação ou projetos técnicos.
A vice-reitora da Univates e presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cíntia Agostini, ressaltou que as necessidades são diferentes entre os municípios: algumas propostas já estão prontas, mas dependem de recursos, enquanto outras precisam ser melhor desenvolvidas para viabilizar a captação.
Estrela lidera número de projetos cadastrados
Entre os municípios participantes, Estrela apresentou o maior número de propostas, com 19 projetos. Colinas aparece na sequência, com 18, seguida por Arroio do Meio, com 13.
Confira os municípios com maior número de projetos:
- Estrela: 19
- Colinas: 18
- Arroio do Meio: 13
- Paverama: 10
- Marques de Souza: 8
- Muçum: 8
- Travesseiro: 7
- Cruzeiro do Sul: 6
- Lajeado: 5
- Putinga: 5
Encantado apresentou três projetos, enquanto Teutônia e Mato Leitão cadastraram quatro cada. O levantamento também contempla iniciativas de outros municípios do Vale do Taquari, além de uma proposta encaminhada pelo Consisa.
Planejamento regional é apontado como necessário
Durante a apresentação, representantes das instituições envolvidas defenderam a importância de integrar o planejamento entre os municípios. Os impactos das enchentes e de outros eventos climáticos ultrapassam limites territoriais, especialmente quando envolvem rios, estradas, pontes e sistemas de proteção.
O promotor de Justiça Sérgio Diefenbach destacou a necessidade de avançar de iniciativas municipais isoladas para uma estratégia regional. A proposta é fortalecer a cooperação entre as administrações públicas e as instituições para ampliar a capacidade de reivindicar recursos e executar projetos de maior alcance.
A próxima etapa prevê aprofundar a análise técnica das propostas, oferecer apoio às prefeituras e articular possibilidades de financiamento. A intenção é transformar o mapeamento em uma ferramenta de planejamento para a reconstrução, a prevenção de desastres e a adaptação climática do Vale do Taquari.

