Prefeitos, entidades empresariais e deputado estadual eleito buscam assegurar recursos do Funrigs para duplicações antes da troca de governo no Estado
Lideranças do Vale do Taquari articulam uma mobilização para garantir que R$ 1,5 bilhão previstos no Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) sejam destinados a obras de infraestrutura rodoviária na região. A iniciativa reúne prefeitos, representantes de entidades empresariais e o deputado estadual eleito Roberto Lucchese (MDB), que buscam definir uma posição conjunta para apresentar ao governo do Estado.
A proposta é assegurar que parte dos recursos previstos para o Bloco 2 das concessões rodoviárias seja aplicada em duplicações de estradas do Vale antes da transição para a próxima administração estadual. Uma das alternativas em discussão é executar as obras por meio da Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR), com a criação de um fundo específico e destinação vinculada aos investimentos.
Três trechos concentram as prioridades
O levantamento inicial prevê R$ 610,5 milhões para a duplicação da ligação entre Venâncio Aires e Arroio do Meio, pelas rodovias RSC-453 e ERS-130. A proposta foi ampliada com a inclusão do trecho entre Arroio do Meio e Encantado, estimado em mais R$ 336 milhões.
Outra intervenção prevista é a duplicação da Via Láctea, na ERS-128, entre Teutônia e Fazenda Vilanova, com custo estimado de R$ 189,4 milhões.
Somadas, as três frentes representam cerca de R$ 1,14 bilhão. Os valores são estimativas utilizadas para orientar as negociações e não significam que as obras estejam contratadas.
Também está em debate a duplicação ou ampliação da RSC-453 entre Estrela e Teutônia. Ainda não há estudo prévio de custos para esse trecho, cuja execução poderia exigir entre R$ 150 milhões e R$ 200 milhões, conforme estimativa apresentada na discussão regional.
Recursos ainda estão em disputa
Os R$ 1,5 bilhão foram previstos para incentivar investimentos e obras de resiliência no Bloco 2, que abrange 409 quilômetros de rodovias em 32 municípios dos vales do Taquari e do Rio Pardo e do Norte gaúcho. O valor não está reservado exclusivamente ao Vale do Taquari.
Por isso, as lideranças regionais pretendem encaminhar uma reivindicação conjunta ao governador Eduardo Leite, com o objetivo de definir a aplicação dos recursos ainda durante a atual gestão.
A mobilização envolve representantes da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), associações comerciais, Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Associação dos Municípios do Alto Taquari (Amat) e Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), entre outras entidades.
Argumento envolve impactos das enchentes
A defesa regional considera os prejuízos provocados pelas enchentes e a necessidade de melhorar a infraestrutura viária. Roberto Lucchese argumenta que a aplicação dos recursos deve considerar os danos causados pelo evento climático extremo no Estado.
A preocupação das lideranças é que o montante seja distribuído em intervenções menores por diferentes regiões, sem garantir as duplicações consideradas prioritárias para o Vale.
A articulação busca, portanto, consolidar as demandas regionais e assegurar que os projetos de ampliação da capacidade de tráfego avancem, em meio à transição do governo estadual.

