Lideranças regionais defendem aplicação de recursos públicos antes de futuras concessões e cobram definição sobre obras prioritárias
A mudança de governo no Rio Grande do Sul voltou a colocar em discussão o futuro das rodovias do Vale do Taquari. Com a decisão do governador Eduardo Leite de deixar os encaminhamentos da concessão do Bloco 2 para a próxima gestão, lideranças regionais defendem que os recursos públicos previstos sejam aplicados primeiro nas obras consideradas prioritárias para a região.
O debate envolve a destinação de R$ 1,5 bilhão do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs), inicialmente previsto como aporte para o conjunto de rodovias do Bloco 2. O trecho abrange 409 quilômetros de estradas em 32 municípios, incluindo áreas dos vales do Taquari e do Rio Pardo e do Norte gaúcho. O valor não está reservado exclusivamente ao Vale do Taquari.
Entre as principais reivindicações regionais estão a duplicação da ERS-130 entre Venâncio Aires e Encantado e melhorias na ligação entre Estrela e Teutônia. Também são apontadas como prioritárias intervenções na Estrada Pão e Vinho, entre Santa Tereza e Muçum.
Recursos e prioridades
A presidente do Conselho de Desenvolvimento do Vale do Taquari (Codevat), Cintia Agostini, defende que as necessidades da região orientem a distribuição dos investimentos. Segundo ela, as obras são importantes para melhorar a mobilidade, ampliar a segurança viária e reduzir os custos logísticos.
O vice-presidente de Infraestrutura da Associação Comercial e Industrial de Lajeado (Acil), Nilto Scapin, também considera necessário garantir recursos para as intervenções regionais. Ele avalia, porém, que haverá disputa com outras regiões do Estado pela verba do Funrigs.
Já o representante de Infraestrutura da Câmara da Indústria e Comércio do Vale do Taquari (CIC-VT), Leandro Eckert, considera positiva a possibilidade de antecipar obras com recursos públicos, mas entende que os valores inicialmente cogitados podem não ser suficientes para as duplicações necessárias.
Concessão segue em discussão
A definição sobre o futuro das rodovias não envolve apenas a execução das primeiras obras, mas também o modelo de administração e manutenção das estradas a longo prazo.
O diretor de Infraestrutura da Federação das Transportadoras do Rio Grande do Sul (Fetransul), Paulo Ziegler, defende que os recursos públicos sejam aplicados primeiro e que, posteriormente, seja discutida uma concessão voltada à conservação e à ampliação da malha viária, conforme as necessidades.
A presidente do Codevat, Cintia Agostini, avalia que o adiamento das decisões abre espaço para retomar a discussão sobre a gestão das rodovias. Entre os pontos em aberto estão a possibilidade de uma concessão destinada apenas à manutenção ou a inclusão de um cronograma de novas obras e ampliações.
Municípios buscam diálogo com novo governo
A prefeita de Lajeado e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), Gláucia Schumacher, informou que os prefeitos buscam uma agenda com o governador eleito, Luciano Zucco. A intenção é defender que os R$ 1,5 bilhão do Funrigs sejam destinados às obras previstas nas discussões sobre a concessão.
O vice-presidente da CIC-VT, Adelar Steffler, também destaca a necessidade de manter a articulação regional para evitar que os recursos deixem de ser aplicados nas intervenções esperadas. Para as lideranças, congestionamentos, acidentes e dificuldades de circulação representam custos para empresas e moradores.
Na primeira reunião de transição, realizada na sexta-feira (9), Zucco afirmou que não é contrário às concessões e que pretende analisar os estudos elaborados pelo Estado antes de se posicionar sobre o modelo. A proposta em discussão inclui contrato de 30 anos, com previsão de R$ 6 bilhões em investimentos, obras, conservação e serviços aos usuários.
Até que haja uma definição, a principal preocupação das lideranças do Vale do Taquari é assegurar que as obras consideradas urgentes avancem e que a região tenha participação nas decisões sobre a aplicação dos recursos e o futuro da administração das rodovias.

