Serviço da universidade atende mães e gestantes pelo SUS e busca evitar o desmame precoce diante de dificuldades que podem ser manejadas com orientação profissional.
Amamentar faz parte da experiência da maternidade para muitas mulheres, mas não é um processo que acontece da mesma forma para todas. Entre a expectativa de que tudo ocorra naturalmente e a realidade dos primeiros dias, podem surgir dor, dificuldade na pega, dúvidas sobre a produção de leite e insegurança — desafios que, em alguns casos, levam à interrupção da amamentação antes do planejado.
Nesse cenário, o acesso a profissionais especializados pode fazer diferença ao oferecer orientação e acolhimento diante das dificuldades. Com a proposta de ampliar esse cuidado e aproximar a assistência qualificada de mais mulheres, a pediatra e consultora internacional em amamentação, Clarissa Aires Roza, criou o Ambulatório de Aleitamento Materno da Univates, em Lajeado.
“A ideia surgiu porque percebemos que apenas as famílias com melhores condições socioeconômicas conseguem, em geral, acesso a atendimento especializado ou a um pediatra com formação voltada ao aleitamento materno. No SUS, não víamos essa oferta. Nos ambulatórios de pediatria durante a faculdade, acompanhávamos as dificuldades das mulheres para amamentar, principalmente pela falta de orientação desde antes do nascimento”, comenta.
Funcionamento
Gestantes no último trimestre da gravidez e mães que enfrentam dificuldades para amamentar podem solicitar, na unidade de saúde de referência, o agendamento de uma consulta no ambulatório. Os atendimentos ocorrem às quintas-feiras à tarde, na UBS Universidade, no bairro Universitário.
O serviço atende casos de mastite, abscesso mamário e baixa produção de leite, além de oferecer orientação para o retorno ao trabalho, com estratégias para que a mulher possa manter o aleitamento materno exclusivo até os seis meses do bebê.
Dor e a sensação de produzir pouco leite estão entre as principais razões que levam as mulheres a procurar o ambulatório. Para Clarissa, essas também estão entre as situações que podem contribuir para o desmame precoce.
“Quando avaliadas e manejadas adequadamente, muitas dessas dificuldades podem ser tratadas sem que seja necessário interromper a amamentação”, salienta. O manejo é sempre clínico e avaliação individual permite identificar a origem do problema e orientar a mulher de acordo com sua necessidade.
Primeiros resultados
Até junho deste ano, o ambulatório atendeu 58 mães e bebês com alguma dificuldade relacionada ao aleitamento e 13 gestantes em consultas de pré-natal voltadas à amamentação.
Por se tratar de um projeto-piloto, a equipe conduz uma pesquisa para avaliar os resultados dos atendimentos e seus efeitos sobre as famílias acompanhadas. A intenção é mensurar a efetividade do serviço e, a partir dos dados obtidos, avaliar uma possível ampliação de sua abrangência.
Embora os dados ainda sejam preliminares, Clarissa afirma que a experiência no atendimento já mostra a importância da intervenção especializada. Segundo ela, muitas das mulheres acompanhadas poderiam interromper a amamentação em pouco tempo caso não recebessem orientação diante das dificuldades.
Benefícios da amamentação
Para o bebê
- Proteção contra infecções: o leite materno contém anticorpos e outros componentes que ajudam a proteger o bebê;
- Nutrição adequada: nos primeiros seis meses, o leite materno fornece os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento do recém nascido;
- Saúde no longo prazo: o aleitamento está associado a menor risco de sobrepeso e obesidade e de algumas doenças metabólicas ao longo da vida;
- Desenvolvimento: estudos associam a amamentação a melhores indicadores de desenvolvimento cognitivo.
Para a mãe
- Menor risco de depressão pós-parto: estudos associam a amamentação a menor ocorrência do transtorno;
- Proteção contra doenças: está associada à redução do risco de câncer de mama, de ovário e de diabetes tipo 2;
- Recuperação no pós-parto: a sucção estimula a liberação de ocitocina, hormônio que favorece a contração do útero;
- Proteção cardiovascular: estudos associam a amamentação a menor risco de hipertensão e doenças cardiovasculares ao longo da vida.
- Recomendação: a OMS e o Ministério da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo até os seis meses e sua continuidade, junto à alimentação complementar adequada, até os dois anos ou mais.

