Projeto idealizado por professoras da EMEF Dom Pedro II, de Linha Hansel, une educação, integração e diversão, incentivando alunos a cumprir desafios para completar uma coleção especial.
Mais do que uma simples coleção de figurinhas, um projeto desenvolvido na Escola Dom Pedro II, em Linha Hansel, Venâncio Aires desperta entusiasmo, fortalece amizades e incentiva o comprometimento dos estudantes com a rotina escolar. Batizada de “Colecionando Memórias, Construindo Histórias”, a iniciativa criada pelas professoras Andréia Siebeneichler e Kelly Treib utiliza um álbum personalizado como ferramenta para estimular o aprendizado de forma lúdica e colaborativa.
Com o subtítulo “Uma Copa de amizade, aprendizagem e pertencimento”, o projeto envolve alunos do 3º ao 5º ano em uma jornada na qual cada atividade concluída, tarefa entregue ou desafio cumprido rende novas figurinhas para completar o álbum. Entre os cromos estão imagens dos próprios estudantes, professores, equipe diretiva e colaboradores da escola, além de versões especiais e holográficas.
A ideia surgiu a partir de uma preocupação das educadoras com a motivação dos alunos e também com a realidade de muitas famílias. Segundo Kelly Treib, a proposta nasceu durante uma conversa informal no recreio. “Percebemos que muitos alunos não teriam condições de comprar um álbum ou as figurinhas. Ao mesmo tempo, notávamos uma certa desmotivação com os conteúdos, com os temas de casa e com o próprio processo de aprendizagem. Queríamos criar algo que servisse como incentivo, um gás extra para que eles voltassem a se envolver com as atividades escolares”, explica.
O álbum conta com 58 figurinhas divididas entre as três turmas participantes. Há espaços dedicados aos estudantes do 3º, 4º e 5º anos, além das chamadas figurinhas lendárias, que retratam a equipe diretiva, orientadoras, funcionários e até as cozinheiras da escola. “Pensamos em cada detalhe para que eles se sentissem representados. Tem a escola antiga, a escola atual, o logotipo, os profissionais que convivem diariamente com eles. Tudo foi criado para que as figurinhas tenham significado e para que cada conquista seja valorizada”, destaca Kelly.


Reação acima das expectativas
A entrega dos álbuns ocorreu nesta semana e surpreendeu até mesmo as idealizadoras do projeto. Kelly conta que a ansiedade tomou conta antes do grande momento. “Eu praticamente não dormi na noite anterior, imaginando como eles iriam reagir. E a resposta foi ainda melhor do que esperávamos. Foi uma alegria contagiante. Eles ficaram tão empolgados que mal conseguiam nos ouvir explicar como tudo funcionava. Foi emocionante perceber o quanto valorizaram algo que foi feito com tanto carinho.”
Além da diversão, o projeto também trabalha conceitos como cooperação, responsabilidade e convivência. As figurinhas são distribuídas em envelopes semelhantes aos utilizados nos tradicionais álbuns esportivos, incentivando inclusive a troca entre os colegas.
Conquistar, e não comprar
Para a professora Andréia Siebeneichler, um dos principais diferenciais da proposta está justamente no fato de que as figurinhas não podem ser adquiridas com dinheiro. Elas precisam ser conquistadas por meio do esforço e da participação dos estudantes.
“Quando receberam os álbuns, a primeira pergunta foi como fariam para comprar as figurinhas. Então explicamos que elas não estariam à venda. Eles terão que conquistá-las por meio das tarefas, da responsabilidade com os temas, da participação nas aulas e da cooperação com os colegas. É uma forma de mostrar que nem tudo se compra e que as conquistas têm valor quando são resultado do empenho de cada um.”
Outro aspecto que chamou a atenção foi a personalização do material. Para preservar a imagem dos estudantes, as fotos foram transformadas em versões inspiradas no estilo anime por meio de recursos digitais.
“Ver a alegria deles ao se reconhecerem nas figurinhas foi algo muito especial. Alguns procuravam imediatamente a própria imagem, outros queriam encontrar os amigos. Cada álbum vai contar uma história diferente, porque eles podem colar as figurinhas na ordem que desejarem, valorizando as amizades e as relações que construíram dentro da escola”, ressalta Andréia.
Ideia já inspira outras turmas
Embora o projeto tenha sido criado inicialmente para três turmas, o sucesso da iniciativa já desperta interesse entre outros educadores da instituição. Segundo Andréia, colegas procuraram as professoras para saber como funciona o álbum e manifestaram vontade de desenvolver versões semelhantes.
“É algo contagiante. A empolgação não ficou apenas entre os alunos. As colegas também gostaram da proposta e já demonstraram interesse em criar seus próprios álbuns. Isso mostra que a ideia conseguiu ultrapassar os objetivos iniciais e mobilizar toda a comunidade escolar.”
Ao final da Copa, a expectativa é que cada álbum represente muito mais do que uma coleção completa. Será um registro das amizades, das aprendizagens e das experiências compartilhadas ao longo do ano letivo, transformando memórias escolares em histórias para serem guardadas por toda a vida.

