Município trabalha com diferentes programas habitacionais e prevê novas entregas ao longo deste ano.
A Secretaria Especial de Habitação de Estrela acompanha, ao mesmo tempo, diferentes frentes para reassentar famílias atingidas pelas cheias. Conforme a secretária Regina Mallmann, o município registrou 1.562 casas destruídas e 7.877 residências atingidas. Hoje, a administração trabalha com 1.726 unidades habitacionais garantidas por meio de programas federais, estaduais, parcerias com entidades e doações.
Criada na atual gestão em função da demanda gerada pelas enchentes, a secretaria passou a concentrar os processos de reconstrução habitacional. “Era para ser uma secretaria de curto espaço de tempo, mas acredito que veio para ficar”, afirma Regina. Segundo ela, além da entrega de moradias, a pasta também atua em demandas dos loteamentos e no acompanhamento das famílias.
Um dos projetos em andamento prevê 100 apartamentos no loteamento Nova Morada. A obra está com cerca de 50% de execução, etapa que permite o chamamento das famílias para análise documental junto à Caixa Econômica Federal. Foram encaminhados 132 nomes, dos quais 77 passaram pela primeira avaliação. A expectativa do município é entregar as unidades até o fim do ano.
Documentação trava avanços
A secretária destaca que a maior dificuldade está na burocracia dos programas. Cada modalidade tem edital próprio, com regras de renda, análise cadastral e exigências documentais.
No caso dos apartamentos, por exemplo, famílias podem ser barradas por dívidas, financiamentos ou renda bruta acima do limite previsto. “Às vezes as pessoas acham que é o município que dificulta, mas precisamos seguir as regras impostas pelo governo federal e pelo Ministério das Cidades.”
Além dos apartamentos, Estrela tem dez casas em construção por meio do Ministério Público e da Ágio, 108 unidades pelo governo estadual, 32 casas da Aliança Evangélica com apoio do Instituto Minotauro e de Luciano Hang, seis moradias da Fundação Caxias e duas casas doadas por cartórios.
O programa Compra Assistida já contempla 566 famílias de Estrela. Parte delas adquiriu imóveis no próprio município, enquanto outras compraram moradias em Lajeado, Venâncio Aires, Teutônia, Bom Retiro do Sul, Arroio do Meio, Santa Cruz do Sul e no litoral.
Novo bairro no Nova Morada
Outra frente é o FAR Calamidade, que prevê 800 unidades em área próxima ao Nova Morada, junto à Rota do Sol. A estimativa é que mais de 3 mil pessoas passem a morar no local. Por isso, o município projeta infraestrutura pública e comercial para atender a nova demanda.
A área deve contar com escola, posto de saúde, Cras e espaços para pequenos negócios, como mercado, salão de beleza, cafeteria e lancheria. “É uma cidade dentro de um bairro”, resume Regina.
A previsão da secretaria é que as últimas entregas ocorram até 2028, especialmente pela dimensão dos projetos e pela dependência das empresas contratadas. “A gente tem pressa, mas depende da execução das obras. Em alguns casos, empresas desistem no meio do caminho e é preciso chamar a segunda colocada”, explica.

