Data mantém apelo emocional e deve injetar R$ 258 milhões no RS, mas consumidores buscam alternativas além do chocolate.
A Páscoa de 2026 confirma um cenário de retomada moderada no comércio, mas com mudanças no comportamento do consumidor. Mesmo com a alta expressiva no preço do chocolate, a data segue como uma das mais relevantes do calendário varejista, impulsionada pelo apelo emocional e pelo simbolismo familiar.
A Federação das Câmaras de Comércio e de Serviços do Rio Grande do Sul projeta crescimento de cerca de 3% nas vendas em relação ao ano passado, o que representa uma injeção aproximada de R$ 258 milhões na economia gaúcha.
Para o presidente da entidade, Vitor Augusto Koch, mesmo diante do encarecimento dos produtos, o consumo tende a se manter. “A Páscoa tem forte apelo emocional. Isso faz com que as pessoas busquem alternativas para presentear, seja com chocolates ou outros itens tradicionais da data”, avalia.
O cenário, no entanto, é impactado diretamente pela inflação do chocolate. Nos últimos 12 meses, o produto acumulou alta de 24,9%, conforme o IPCA-15. O aumento está ligado à crise global do cacau, causada por problemas climáticos e pragas em regiões produtoras da África Ocidental, responsáveis por cerca de 70% da oferta mundial.
Consumo diversificado
Em Lajeado, o reflexo desse cenário aparece na diversificação das compras. Na Clip, a gerente Franciele Metz observa uma mudança no perfil das cestas de Páscoa.
Segundo ela, cresce a procura por itens que vão além do chocolate, como brinquedos, livros e produtos interativos. “Está uma Páscoa diferente. As pessoas continuam comprando chocolate, mas buscam alternativas, principalmente para crianças”, relata.
Entre os produtos mais vendidos estão coelhos de pelúcia, kits com massinha de modelar e livros com temáticas relacionadas à data. A proposta, segundo a lojista, é oferecer presentes que tenham uso prolongado.
“São itens que a criança pode continuar usando depois. Isso também atende famílias que têm restrições alimentares, como intolerância à lactose”, explica.
Outro movimento observado é o resgate de tradições. Famílias têm buscado ovos simples ou de plástico para atividades como pintura e montagem de cestas, em um retorno a práticas mais artesanais e coletivas.
Movimento antecipado
No setor supermercadista, o ritmo de vendas também ganhou força nos primeiros dias da semana. No STR Supermercados, o gerente Ederson Weber relata aumento gradual na procura desde segunda-feira. “Já tivemos um crescimento considerável. Alguns produtos começam a faltar e a orientação é não deixar para a última hora”, afirma.
Segundo ele, a Páscoa se consolida como uma das principais datas para o varejo alimentar, com impacto semelhante ao Natal e ao Ano Novo em volume de vendas.
Além dos chocolates, o movimento também se estende a outros setores do supermercado. Carnes, pescados, frutas e sobremesas registram alta procura, impulsionados pelas reuniões familiares típicas do período.

