Primeira etapa para retomar passeios inicia cronograma enquanto prefeitos e Amturvales articulam projeto na Defesa Civil Nacional para recompor toda a malha de 46 km do Trem dos Vales e incluir novo roteiro entre Santa Tereza e Guaporé.
A recuperação do Trem dos Vales avança em duas frentes. Uma em execução, com obras no trecho entre Muçum e Vespasiano Corrêa. A outra se organiza em Brasília, onde prefeitos da região buscam garantir recursos federais para recompor todo o percurso ferroviário e ampliar o projeto turístico.
As intervenções começaram pelo trecho mais viável. São 16 quilômetros com R$ 6 milhões do governo do Estado. As equipes atuam na limpeza da via e retirada de entulhos. Em seguida, começa a preparação da base para recolocação dos trilhos.
Segundo o presidente da Associação dos Municípios de Turismo da Região dos Vales (Amturvales), Rafael Fontana, o cronograma prevê seis meses de trabalho até a liberação do trecho. A partir disso, começa a organização para retomada dos passeios turísticos.
“No período emergencial das enchentes, a ferrovia ficou em segundo plano. Agora, há um ambiente positivo para buscar recursos e colocar o projeto completo em execução”, acredita.
Ao todo, são cinco frentes de trabalho em etapas diferentes, desde a limpeza e serviços de máquinas até a logística de materiais, instalação dos trilhos e emissão de laudos de segurança. Cerca de 30 profissionais atuam na recomposição.
Em paralelo, a concessionária Rumo trabalha na recuperação de uma ponte de pequeno porte em Vespasiano Corrêa, onde os trilhos saíram do alinhamento durante as enchentes. O traçado original do Trem dos Vales liga Guaporé a Muçum, em um total de 46 quilômetros. A escolha dos 16 quilômetros iniciais se deu tanto por critérios técnicos quanto operacionais, funcionando como projeto-piloto para avaliar custos, modelo de operação e viabilidade de ampliação do percurso.
Ampliar passeios
Enquanto a primeira fase avança, prefeitos da região articulam uma segunda etapa mais ampla: a recuperação completa, incluindo a ligação até Guaporé e novos trechos em Santa Tereza.
O projeto prevê investimento entre R$ 60 a R$ 100 milhões, com recursos da Defesa Civil Nacional. A proposta surgiu a partir de compromissos de gestores da região em Brasília no mês passado.
Conforme a prefeita de Santa Tereza, Gisele Caumo, a possibilidade ganhou forma há cerca de duas semanas, em reunião no município, durante atividades da Secretaria Nacional da Reconstrução.
O secretário, Maneco Hassen, junto com o ex-ministro e atual deputado federal, Paulo Pimenta (PT), e com representantes da Defesa Civil Nacional, confirmaram a possibilidade de investimento federal na ferrovia.
A principal estratégia agora é enquadrar o projeto como recomposição de patrimônio público afetado pelas enchentes de 2024.
Modelo do convênio e nova atração
Os municípios e a Amturvales discutem o modelo de execução. A Defesa Civil não firma convênios com associações, o que exige definição sobre quem será o responsável formal pelo contrato.
“Há duas saídas. Garantir a recuperação com os recursos disponíveis agora ou esperar a nova concessão ferroviária, sem garantia de interesse. Precisamos apostar no que temos na mão”, destaca Fontana.
A ampliação do projeto inclui a criação de novos produtos turísticos. Um deles é o chamado “passeio do Pão e do Vinho”, ligando Santa Tereza à região de Guaporé. “Provocamos a reunião com a Defesa Civil para viabilizar o projeto completo. Existe recurso, mas é preciso cumprir todos os critérios técnicos. Agora estamos estruturando a elaboração para encaminhar.”
Segundo ela, o trecho entre Santa Tereza e Roca Sales apresenta menor nível de dano estrutural, o que facilita a recuperação. A intenção é que o passeio ocorra, mesmo que de forma sazonal. “Já temos a Rota do Pão e do Vinho. Por que não integrar isso ao trem? Talvez não de forma contínua, mas em períodos específicos”, diz.
O modelo de convênio será um dos temas debatidos em reunião da Associação dos Municípios do Alto Taquari (Avat), marcada para sexta-feira, em Santa Tereza.
Defesa técnica
Para viabilizar o acesso aos recursos federais, a Amturvales e os municípios iniciam um levantamento sobre o impacto econômico do Trem dos Vales.
O diagnóstico deve reunir dados sobre geração de emprego, movimentação financeira e impacto no turismo regional. Entre 2019 e 2023, mais de 112 mil turistas passaram pelo passeio ferroviário.
Sobre a Malha Sul
- Leilão da Malha Sul previsto para o segundo semestre de 2026;
- Governo federal prevê aporte público entre R$ 1,5 bi e R$ 2 bi para viabilizar o trecho gaúcho;
- Estimativa total de investimentos: R$ 12 bilhões (nos três estados do Sul).
O que será decidido em 2026
- Formato final da concessão (três lotes ou blocos integrados);
- Volume real de aporte público;
- Responsabilidades da União e da concessionária na recomposição da malha;
- Condições de outorga e metas de modernização.

