

— Estamos de cabelo em pé — resume o agricultor.
Rohr calcula perda de 30% na produção, o que representa prejuízo superior a R$ 50 mil. Com calor próximo dos 40ºC nas últimas semanas, a falta de chuva tem afetado o desenvolvimento de grãos e preocupado produtores no Estado, especialmente da Região Norte.
Apesar de variar entre fazendas e culturas, os danos já são considerados significativos no milho e na soja e deixam pecuaristas em alerta por causa das pastagens secas. Para o presidente da Associação dos Produtores de Soja do Estado, Luis Fernando Fucks, a colheita recorde superior a 19 milhões de toneladas não irá se confirmar por causa da aridez do solo.
— Não será uma supersafra — reforça Fucks.
A Secretaria Estadual da Agricultura se reuniu na tarde de ontem com a área técnica da Emater. Titular da pasta, Covatti Filho, que está estudando em Nova York, participou do encontro por telefone. O secretário em exercício, Luiz Fernando Rodriguez Júnior, classificou a estiagem como a mais grave desde a safra 2011-2012 e anunciou a formação de um grupo para acompanhar seus desdobramentos. Dados consolidados devem ser apresentados até o fim da semana.
— A cada 10 anos, em sete deles tivemos algum comprometimento do potencial produtivo das lavouras e pastagens em razão de restrição hídrica. Pelo que as entidades passaram, os danos não eram tão severos desde 2011-2012 — diz Rodriguez.
Nas lavouras de milho, a colheita foi adiantada em algumas propriedades para evitar perdas mais significativas. Segundo agricultores, o florescimento está se dando com pouca umidade do ar e muita incidência do sol, “queimando” as plantas. Pouco otimistas, eles têm calculado quebra de metade da safra.
– Estou sentindo os efeitos do clima nas duas culturas, de milho e soja. A planta está em estresse hídrico e térmico. Se continuar assim, o impacto será em todas as culturas. Se chover, irá recuperar um pouco – comenta o produtor Maurício de Bortoli, de Cruz Alta.
Semeado entre agosto e setembro, o milho está no período de enchimento dos grãos, etapa do cultivo que demanda mais água. Já a soja, considerada uma planta resistente, está em fase reprodutiva e ainda poderá reagir, mas terá seu potencial reduzido. Porém, trata-se de um cenário disforme, de acordo com o diretor-técnico da Emater, Alencar Rugeri, já que, na mesma área, há produtores com perdas significativas e outros sem danos.
— É uma situação diferente de outras porque, dentro das regiões, há variação muito grande em razão da desuniformidade da distribuição da chuva em dezembro. Há produtores que perderam 100% da lavoura, e outros que já colheram e estão plantando de novo. A única solução é o restabelecimento da chuva, interrompendo esse ciclo — diz Rugeri.
Nas lavouras de milho, o tamanho do dano está relacionado ao mês de plantio. Agricultores que semearam em agosto foram pouco afetados, enquanto os que plantaram em setembro estão colhendo perdas, relata o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Venâncio Aires, Claudio Fingler:
— O milho seca de cima para baixo, e o excesso de calor começou a queimar as lavouras.
Produtores também estimam impacto no fumo e no leite. Presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Não-Me-Toque, Maiquel Junges projeta o tamanho da crise no setor: perda de 80% no milho, 50% na soja e 20% no leite.

