

As razões são muitas, funcionários desmotivados, acomodações sucateadas, processos burocráticos e muita incompetência gerencial. Infelizmente o patrimonialismo brasileiro, do qual falamos há alguns dias, é a principal causa dessa consequência desastrosa que é o atendimento ao público por parte desse setor. Sim, a prática enraizada na cultura política brasileira, de achar que a coisa pública pertence a um grupo político, e em alguns casos até pior, a uma família, é a maior culpada pela falta de um atendimento e de uma gestão profissionalizada.
A solução, que depende muito da boa vontade e do esclarecimento do eleitor em mudar esse quadro, passa pela exigência no período de administração de práticas com transparência, eficiência e cobrança dos gestores públicos eleitos para que eles cumpram com o prometido em campanha. Fomos acostumados a crer que um período ideal de exigência aos políticos é o momento eleitoral. Nesse tempo as pessoas reclamam, fiscalizam, solicitam e cobram ações como raramente fazem durante o mandato. Porém, temos que entender que após os políticos serem eleitos é que temos a obrigação de cobrar o que prometeram e que os gestores têm obrigação de retornar de modo eficaz os serviços à população.
A verdade é que o coronelismo ainda impera em vários currais eleitorais, mostrando a faceta sórdida da velha política, onde as administrações são voltadas ao velho hábito de servir poucos, normalmente familiares e amigos próximos dos gestores, que por sua vez deixam claro o modelo amador de sua administração sentido principalmente no atendimento à população.
Porém, inúmeros mandatários já perceberam que há uma facilidade de andamento da vida política quando a gestão é corretamente aplicada. Uma gestão correta, que passa por uma linha de conduta administrativa e política que prima ideias e pensamentos voltados exclusivamente ao bom serviço ao cidadão, traz consigo uma carga política eleitoral extremamente proveitosa ao homem público. Esse modelo, além disso, também faz com que o funcionário público trabalhe melhor, mais motivado com suas realizações, com a percepção clara de que a sua atividade é gratificante pelo reconhecimento não só de seus pares como principalmente da comunidade. É uma via de ganhos mútuos onde tanto o gestor político, o prestador de serviço público e principalmente a população, sairão satisfeitos com o andamento de suas demandas.
Boa semana!
Fredi Camargo – Cientista Político
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