Leilões desta quinta-feira contemplam 16,36 mil toneladas da fruta e incluem produtores familiares do RS.
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) realiza nesta quinta-feira novos leilões para apoiar o escoamento da produção de laranja. As operações de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Prêmio Equalizador Pago ao Produtor Rural (Pepro) contemplam aproximadamente 16,36 mil toneladas da fruta produzida por agricultores familiares do Rio Grande do Sul, Bahia, Pará, Paraná, São Paulo e Sergipe.
Os pregões começam às 9h, pelo Sistema de Comercialização Eletrônico da Conab (Siscoe). A medida ocorre em um momento de pressão sobre os preços recebidos pelos citricultores em algumas regiões produtoras, após uma temporada anterior marcada por remunerações mais elevadas.
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No Rio Grande do Sul, o cenário é observado, por exemplo, em Arvorezinha, terceiro maior produtor da fruta no Estado. Conforme a Emater/RS-Ascar, a oferta inicial para a laranja destinada à indústria está em torno de R$ 0,25 por quilo. Segundo o chefe do escritório municipal da entidade, Júlio Marcon, o valor praticamente se aproxima do custo necessário para retirar a fruta dos pomares.
Na safra anterior, a situação era diferente. Problemas sanitários e produtivos no Cinturão Citrícola, que reúne São Paulo e o Triângulo/Sudoeste de Minas Gerais, haviam reduzido a oferta e contribuído para elevar a remuneração. Em Arvorezinha, a laranja Valência chegou a ser comercializada por até R$ 1,60 o quilo.
O período de preços favoráveis estimulou a expansão dos pomares. Somente na última safra, cerca de 100 hectares de novos cultivos foram implantados no município. Para o atual ciclo, porém, a estimativa é de aproximadamente 20 hectares, reflexo da maior cautela dos produtores diante das condições de mercado.
Como funcionam os leilões
Na primeira operação desta quinta-feira, a Conab oferta apoio ao escoamento de 16,36 mil toneladas por meio do Pepro. Podem participar agricultores familiares e cooperativas dos seis estados contemplados.
O maior volume está destinado a produtores de São Paulo, seguido por Bahia, Rio Grande do Sul, Pará e Paraná. Para receber o prêmio, o produtor ou a cooperativa precisa comprovar a produção e a venda da laranja in natura para uma indústria de processamento.
Caso o volume do Pepro não seja totalmente negociado, a quantidade remanescente poderá ser ofertada em um novo leilão de PEP destinado às indústrias processadoras. Nesse caso, as empresas participantes deverão comprovar a compra da laranja in natura de agricultores familiares, diretamente ou por meio de suas cooperativas, pelo preço mínimo estabelecido pelo governo federal.
Recurso de até R$ 10 milhões
A ação foi autorizada por portaria publicada em 14 de agosto pelos ministérios da Agricultura e Pecuária, da Fazenda, do Planejamento e Orçamento, e do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar.
O documento prevê até R$ 10 milhões para o apoio ao escoamento da laranja in natura da safra 2026/27. A utilização dos instrumentos PEP e Pepro busca estimular a comercialização, contribuir para a estabilidade do mercado e garantir renda aos produtores, dentro da Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM).
Os participantes precisam atender às exigências cadastrais estabelecidas nos avisos dos leilões, incluindo regularidade perante sistemas e órgãos federais e inscrição na Bolsa de Mercadorias pela qual pretendem atuar.
Nova rodada após baixa adesão
A nova operação ocorre após os leilões realizados pela Conab em 3 de setembro. Na ocasião, foram negociadas 13 mil toneladas de laranja, equivalente a 36% do volume total ofertado.
Após os novos pregões, a Companhia fará a análise da regularidade cadastral dos participantes e divulgará os arrematantes. O pagamento do prêmio ocorre depois da conferência da documentação referente à comercialização e ao escoamento da fruta.
Produção gaúcha
O Rio Grande do Sul ocupa a sexta posição entre os estados brasileiros na produção de laranja. A atividade é desenvolvida principalmente por agricultores familiares e abastece tanto o mercado de frutas de mesa quanto a indústria de sucos.
No Estado, destacam-se regiões como o Vale do Caí, a Serra, a Fronteira Oeste e o Alto Uruguai. As variedades cultivadas variam conforme a finalidade da produção. No Alto Uruguai, por exemplo, a citricultura tem forte direcionamento para a indústria, com predomínio de variedades como Valência, Hamlin, Rubi e Iapar 73.
No Vale do Taquari, Arvorezinha mantém uma área expressiva de cultivo, com cerca de 700 hectares de laranja, dos quais aproximadamente 600 estão atualmente em produção. A variedade Valência é predominante, com colheita concentrada entre setembro e dezembro.

