Primeira edição do seminário reuniu produtores, especialistas e lideranças para discutir sucessão familiar, tecnologia e mercado, além de homenagear produtores.
A primeira edição do Dália +100 reuniu produtores rurais, especialistas, técnicos, lideranças e representantes do cooperativismo para debater os desafios e as perspectivas da cadeia leiteira. Realizado no auditório da sede do Sicredi Região dos Vales, em Encantado, nessa quarta-feira, 8, o seminário teve como foco temas como sucessão familiar, inovação, gestão, tecnologia e mercado, reunindo palestrantes de diferentes áreas para discutir caminhos para a atividade.
O presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Dália Alimentos, Gilberto Antônio Piccinini, afirmou que o evento foi concebido com uma visão de longo prazo, inspirada no propósito de projetar os próximos 100 anos da cooperativa. “A iniciativa busca ampliar o acesso ao conhecimento e promover o debate sobre os desafios enfrentados pelos produtores, com destaque para a continuidade das propriedades familiares e a competitividade da produção leiteira. Nós não podemos nos furtar da importância de projetar o futuro”, salientou.
“O expressivo número de produtores associados reúne também o maior contingente de famílias que dependem economicamente dessa atividade. Foi dessa reflexão que nasceu o Dália +100. Embora a cadeia leiteira continue crescendo em volume de produção, também vem registrando redução do número de produtores, especialmente dos pequenos, promovendo sua exclusão da atividade, uma realidade que nos preocupa profundamente”, enfatizou o presidente executivo da Cooperativa Dália Alimentos, Carlos Alberto de Figueiredo Freitas.


Foto: Matheus Giovanella Laste
Piccinini destacou que a cooperativa desenvolve programas voltados ao fortalecimento das famílias associadas e à permanência dos jovens no campo, além de incentivar investimentos em tecnologia e qualificação. “Embora o número de produtores diminua ano após ano, nós queremos fazer com que aqueles que permanecem na atividade cresçam e garantam o futuro das próximas gerações”, disse. Também avaliou que o setor precisa ampliar sua capacidade de competir no mercado internacional e defendeu condições que favoreçam o crescimento da produção nacional.
Tecnologia e sucessão
O engenheiro agrônomo Diego Langwinski, mestre em Nutrição de Ruminantes e um dos palestrantes do evento, avaliou que a discussão sobre o futuro da atividade leiteira passa pela preparação das propriedades para as próximas gerações. “Ser produtor hoje é ser dono de uma empresa”, ressaltou. Segundo ele, sucessão familiar, definição de responsabilidades e gestão profissional são fatores determinantes para a continuidade dos negócios rurais.
“A inovação, a tecnologia e a gestão de dados são as saídas para manter os filhos na atividade. Com a ordenha automática, o produtor ganha tempo para olhar o negócio e analisar os dados da propriedade. O consumidor hoje não compra apenas o valor nutricional do leite”, explicou Langwinski. A programação do Dália +100 também contou com espaços para debates entre especialistas, dirigentes da cooperativa e participantes.
Reconhecimento aos produtores
Além das palestras, o evento marcou a apresentação da Cápsula do Tempo da Cooperativa Dália Alimentos, iniciativa que deverá reunir registros da trajetória da instituição e será reaberta a cada dez anos, com o objetivo de documentar diferentes etapas da história da cooperativa ao longo do próximo século.
A programação também incluiu uma cerimônia de reconhecimento a produtores associados com destaque no Programa Vale dos Lácteos e a propriedades que obtiveram os melhores indicadores de qualidade do leite em 2025, considerando critérios como Contagem Padrão em Placas e Contagem de Células Somáticas. Técnicos extensionistas que acompanham essas propriedades também foram homenageados durante o encontro. Os produtores reconhecidos participarão da Agroleite 2026, em Castro (PR), por meio da cooperativa.

