Cepea aponta queda nos preços internos em março e avanço histórico nos embarques brasileiros.
O mercado suinícola brasileiro apresentou retração em março no mercado interno, apesar do desempenho recorde das exportações. De acordo com o Boletim do Suíno divulgado pelo Cepea, houve queda nos preços ao produtor, demanda enfraquecida e pressão dos custos de produção.
Segundo o levantamento, a menor procura doméstica foi um dos principais fatores para o recuo das cotações. O período da Quaresma, tradicionalmente marcado por redução no consumo de carne suína, contribuiu para esfriar as negociações ao longo do mês.
>> Participe da comunidade no WhatsApp e receba as notícias do Agro360
O Cepea também destaca que incertezas no cenário internacional, oscilações cambiais e valorização do petróleo reduziram a liquidez e deixaram parte dos agentes afastados do mercado.
Na contramão do mercado interno, as exportações brasileiras de carne suína atingiram o maior volume da série histórica em março, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O Brasil embarcou 152,2 mil toneladas, alta de 25,9% em relação a fevereiro deste ano e avanço de 32,7% frente a março de 2025.
O resultado superou em 1,4% o recorde anterior, registrado em setembro de 2025, reforçando o mercado externo como principal sustentação da cadeia no momento. No custo de produção, a valorização do milho e a menor liquidez no mercado de suíno vivo provocaram nova perda no poder de compra do produtor paulista frente ao cereal. Foi o sexto recuo mensal consecutivo nessa relação de troca.
Por outro lado, a desvalorização do farelo de soja trouxe alívio parcial, melhorando o poder de compra do suinocultor em relação ao insumo. No varejo, os preços da carne suína recuaram em março, enquanto a carne bovina subiu, ampliando a competitividade da proteína suína. Em termos reais, considerando o IPCA de fevereiro de 2026, a vantagem da carcaça suína frente à bovina atingiu o maior nível desde abril de 2022.
Para o Cepea, o setor vive cenário de contrastes: mercado doméstico fragilizado, custos pressionados e exportações em ritmo recorde, fator que segue dando suporte à atividade no país.

