O Brasil tem 11,2 milhões de Microempreendedores Individuais (MEI’s) e já corresponde a 56,7% das empresas ativas do país. No Rio Grande do Sul, elas somam 772,7 mil e no Vale do Taquari 20 mil MEI’s. Os números foram apresentados quinta-feira (14) na reunião da Associação dos Municípios do Vale do Taquari (Amvat), em Arroio do Meio, pelos presidentes do Sindicato dos Contadores e Técnicos em Contabilidade do Vale do Taquari (Sincovat), Noeli Kuhn, e da Aescon, Dani José Petry, e fazem parte de um estudo do impacto dos MEI’s na sociedade.


As perdas se refletem também na arrecadação dos municípios, já que não pagam taxa de abertura como as demais empresas e o alvará anual de localização é isento em muitas localidades. “Lajeado, por exemplo, cobra R$ 28,07 para registrar a abertura de uma empresa. Se formos analisar os 5.738 MEI’s que existem no município, Lajeado deixou de recolher R$161.065,66 somente de taxa de inscrição”.
Noeli também citou o impacto dos MEI’s na rotina de trabalho dos escritórios contábeis. De acordo com a legislação vigente, os MEI’s estão desobrigados da escrituração contábil, porém, cabe aos escritórios a abertura destes de forma gratuita. A questão não interfere apenas nos honorários que deixam ser recebidos pelos profissionais, repercutindo na geração de impostos e empregos. Ela ainda observou o tratamento desigual entre MEIs e empresas do Simples Nacional no que diz respeito as vendas com nota fiscal, sendo que apenas as do Simples são fiscalizadas e notificadas para recolhimento das diferenças de impostos.
O estudo propõe uma reflexão sobre a contribuição previdenciária e o custo extra que terá que ser bancado pelos cofres públicos para a aposentadoria e a efetiva operação de acordo com a lei, tendo em vista a disparidade entre faturamento e custos fixos. “Teria uma MEI condições de arcar com outras despesas além do aluguel, como água, luz, internet, fornecedores, se a mesma estivesse faturando dentro do faturamento permitido”, questiona Petry. Atualmente, esse limite é de R$ R$ 81 mil por ano, uma média mensal de R$ 6.750,00. Mas um projeto de lei propõe aumentar para R$ 130 mil e permitir a contratação de até dois funcionários. O fato é motivo de preocupação da classe contábil e demais setores produtivos da sociedade. “Quantas empresas hoje optantes pelo Simples Nacional, que recolhem os impostos de acordo com o faturamento, contribuem ao INSS, pagam as taxas municipais, possuem escrituração contábil, vão optar pela modalidade MEI”, advertem os dirigentes.
No que se refere à aposentadoria, o presidente da Aescon traçou um comparativo. “Levando em conta a expectativa de vida média do brasileiro de 78 anos, e a idade mínima de aposentadoria de 65 anos, precisa-se levar em conta que por 13 anos o contribuinte irá receber aposentadoria de no mínimo um salário mínimo por parte do INSS. Em 13 anos isso geraria um montante estimado de R$ 171.600,00 que sairiam dos cofres do INSS. Com a contribuição mensal de R$ 55,00, para atingir este montante, seriam necessários 3.120 contribuições, isto é, 260 anos”.

